23/03/2009

Only love can leave such a mark




No Line On The Horizon
U2
2009


Desde Novembro de 2004 o U2 mostrou poucas novidades. Alguns caça níqueis acoplados a versões remasterizadas de discos antigos e uma tradiconal faixa inédita em meio a uma colêtânea foi tudo o que os fãs de U2 viram de novo. Porém, depois de cinco anos praticamente em jejum, o U2 volta com um novo albúm, prontos para mostrar porque se consagram como uma das melhores bandas de todos tempos.

"No Line On The Horizon" é interessante desde o título, pois a banda parece mostrar o que querem dizer com isso durante o disco. Ora, a ausência de uma linha no horizonte permite entendermos a ausência de limites, certo? E é isso que percebo no U2, já não há mais limites para os irlandeses. De forma bastante sábia, o U2 não se permitiu repetir demais. Os albuns "All that you can't leave behind" e "How to dismantle an atomic bomb" soaram como uma sequência. Outro albúm no mesmo caminho significaria estar caminhando para o fim da carreira. O fato da banda tomar um outro rumo fez desse disco um alvo de críticas intensas, e na verdade, não muito sensatas. A caminho do fim da década, "No line on the horizon" é candidato aos melhores da década ao meu ver. Não é um disco que marca desde a primeira vez que se ouve, mas melhora progressivamente a cada nova audição.

Característica interessante do novo trabalho do U2 é a presença de um fio condutor perceptível no albúm. Desde Zooropa, os discos da banda, por melhores que sejam, pareciam carecer de um sentimento de união entre as faixas, e o novo albúm eliminou essa carência. É estranho falar nesse tipo de coisa em uma época em que os CDs são cada vez menos escutados, dando espaço aos mp3 em seus iPods ligados no ramdom. Porém, aos que ainda tem esse hábito de ouvir um disco do começo ao fim, irão entender essa idéia.

O disco abre alas com a música homônima ao CD, algo que poucas músicas conseguiram (apenas October, The Unforgettable Fire e Zooropa foram faixas-Título). "No line on the horizon" é uma canção vigorosa que mostra parte do novo U2 e possui uma letra que dá margem as múltiplas interpretações (arte que Bono domina, muito bem por sinal). Em seguida temos "Magnificent", a favorita da maioria do público, talvez por soar como o bom e velho U2. A música tem tudo para ser um grande hino de estádio.

Em sua terceira faixa, o U2 atravessa suas próprias barreiras e compõe uma balada épica simplesmente transcedental. "Moment of surrender" é bela, desde a letra até suas diversas melodias e ambientes. Uma de minhas favoritas desde a primeira audição. É nítido nessa faixa que o fato de Danny Lanois e Brian Eno como co-autores aumenta (e muito) o potencial da banda. "Unknow caller" é extremamente familiar para aqueles que conhecem U2. Parece alguma faixa perdida em outros tempos da banda. Excepcional performance de The Edge, especialmente no extenso solo ao final da música. Ainda soando o bom e velho U2, "I'll go crazy if I don't go crazy tonight" despertou curiosidade por conta de seu título semelhante a algo que me fez lembrar as Spice Girls. Obviamente a música não é nada disso, pelo contrário, é uma bela canção que emociona o coração ouvinte. Segundo o Bono, essa uma das músicas mais "fofas" desde "The sweetest thing". Também é uma de minhas favoritas desde a primeira vez que ouvi.

A sexta faixa vem com o primeiro single "Get on your boots", música que despertou amor ou ódio por parte de alguns fãs (mais xiitas geralmente). O fato é que o single pede para ser apenas uma brincadeira, afinal alguém acredita que o Bono "não quer falar da guerra entre as nações?". O riff de "Get on your boots" soa tão grudento (no bom sentido!) quanto o de "Vertigo". "Stand up comedy" só pode ter sido feita em Londres. O U2 se aproxima do Britpop e faz uma música que parece querer incentivar o ouvinte a "se levantar" literalmente. Se essa faixa parece ser londrina, a evidência de onde uma música foi feita é mais do que clara em "FEZ-Being born". A cidade marroquina ganhou sua homenagem no disco nessa música-siamesa e não é por menos, já que o clima dela lembra demais a música típica do local.

Um folk tradicional somado a um belo arranjo do U2, ao lado de Lanois e Brian Eno, resulta em "White as snow", oitava faixa de "No line on the horizon". Prestes a finalizar o disco, a produção de Steve Lillywhite cuida para que as guitarras não parem de trabalhar e "Breathe" traz a banda em grande estilo, com mais uma performance brilhante de Edge. Após respirar com essa faixa, "Cedars of Lebanon" é um tapa na cara e fecha o albúm com uma performance serena de Bono e Edge, deixando Larry Mullen soar o jazz em sua bateria. Apesar de sereno, Bono incorpora um combatente de guerra e faz da última faixa a chave de ouro para finalizar o CD.

O U2 soube inovar mais uma vez o seu estilo, o que não siginificou um U2 absurdamente diferente de qualquer época. Muito pelo contrário, o "estilo U2" permanece ótimo como sempre. A banda parece não mostrar limites e nem indícios de que já estão prestes a parar. Longe de ser um último suspiro, "No line on the horizon" pretende ir além. É um albúm que convida a caminhar cada vez mais em frente. Talvez o futuro possa mostrar o que há de se encontrar com isso tudo. Resta-nos agora aguardar o que até agora se chama "360º Tour". Ficamos naquela esperança de ver o U2 mais uma vez no Brasil, para nos emocionar com tantos "oh oh ohs" que este disco traz.

1 Comentário(s):

Henrique Neto disse...

Vou te falar uma coisa: estou com vontade de ouvir U2! Eu nunca ouvi, mas depois dessa descrição belíssima, me deu uma vontade louca! haahhaha

Muito bem escrito e "sentimentado"! Um abraço...